terça-feira, 25 de julho de 2017

A Mata Virgem



                                  Indios Flechando Uma Onça. "Johann Moriz Rugendas"  


                                     

                          Paisagem na Selva Tropical Brasileira. "Johann Moritz Rugendas" 




         Arvore Gigantesca na Selva Tropical Brasileira. "Johann Moritz Rugendas".


                
             “Depois que Itaquê ofereceu a Ubirajara o cachimbo da paz e com ele trocou a fumaça da hospitalidade, os Cantores entoaram a saudação da chegada:                                                                       

                  “O hóspede é mensageiro de Tupã. Ele traz a alegria à cabana; e quando parte, leva consigo a fama do guerreiro que teve a fortuna de o acolher.
                 
                  “Nas tabas por onde passa e na terra de seus pais ele conta aos velhos, que depois ensinam aos moços, as proezas dos heróis que viu em seu caminho e de quem recebeu o abraço da paz.

                 “O hospede é mensageiro de Tupâ. Ele traz consigo a sabedoria; na cabana do guerreiro, que tem a fortuna de o acolher, todos o escutam com respeito.

                 “Em suas palavras prudentes, os anciões da taba aprendem, para ensinar aos moços, os costumes dos outros povos, as façanhas de guerras desconhecidas por eles e as artes da paz que o estrangeiro viu em suas viagens.

                 “O hóspede é mensageiro de Tupã. O primeiro que apareceu na taba dos avós da nação Tocantim foi Sumé, que veio donde a terra começa e caminhou para onde a terra acaba.

                 “Dele aprenderam as nações a plantar a mandioca para fazer a farinha; e a tirar do caju e do ananás o generoso cauim, que alegra o coração do guerreiro.

                 “O hóspede é mensageiro de Tupã. Quando o estrangeiro entra na cabana, o guerreiro que tem a fortuna de o acolher, não sabe se ele é um chefe ilustre ou o grande Sumé que volta de sua viagem.

                “O sábio ensina, por onde passa, os segredos da paz. E o herói, as façanhas da guerra; mas ambos deixam na cabana da hospitalidade a glória de ter abrigado um grande varão.

               “O hóspede é mensageiro de Tupã. Por seu caminho vai deixando a abundância e a festa; depois do banquete da boa-vinda as árvores vergam com os frutos e a caça não cabe na floresta.

              “A cabana, que fecha a porta ao hóspede, o vento a arrança, o fogo do céu a abrasa, o guerreiro, que não se alegra com a chegada do hóspede, vê murchar ao redor de si a esposa, os filhos, as mulheres e as roças que ele plantou.

             “Bem-vindo seja o estrangeiro na cabana de Itaquê, o grande chefe da nação Tocantim, que teve a glória de ser escolhido pelo hóspede.

         “Os guerreiros exultam com a honra de seu chefe, o os Cantores te saúdam. Mensageiro de Tupã.”

          Enquanto na cabana ressoa o Canto da boa-vinda, Jacamim, a esposa de Itaquê, chamou as amantes do marido, suas servas, para ajuda-la a preparar o banquete da hospitalidade.

           As servas pressurosas entenderam á sombra da gameleira as alvas esteiras de palmas entrançadas de airi; e colocaram sobre elas os urus cheios de farinha-d’água.

           Trouxeram também os camocins rasos onde se apinhavam as moquecas envoltas em folhas de banana, e peças de carne assada no biaribi, que ainda fumegavam nos pratos feitos de concha de tartaruga.

           Depois suspenderam a caça mais volumosa, veados e antas, assim com as igaçabas de cauim nos ramos inclinados da árvore, em altura que o braço do guerreiro pudesse alcançar.

           Frutas de várias espécies, pencas douradas de bananas, cachos roxos de açaí, os rubros croás e os fragrantes abacaxis, enchiam o jirau levantado no meio do terreiro".

(José de Alencar, UBIRAJARA “Lenda Tupy”. Págs.: 65 a 69, Rio de Janeiro, 1874).





Indios Coroados(Bororo).Sinal de Ataque. "Jean-Batiste Debret".




                                                                 

                                             Festa Nativa. "Teodor de Bry"



      
                      

                  
                                               - Salão de Audição -


                                  A Oca.(Banzabê) Àlbum: Boa Viagem  







                  

                         Até Breve... Amigos.... Obrigado pela companhia.     







  





                     
                 





 

sexta-feira, 14 de julho de 2017

A Volta da Cabocla

Johann Moritz Rugendas. (Famille indienne. Botocudos) 



José Maria de Medeiros. (Iracema)


“No Brasil, no início da colonização dos portugueses, vivia na Bahia, na cidade que seria chamada mais tarde de São Salvador, Diogo Álvares Correa. Ele era um “galaico-minhoto” (região da Galícia), que naufragou nas águas do mar tenebroso, próximo à Bahia de Todos os Santos, nos baixos de Maiririquiig (Maraquita). Salvou-se matando dois pássaros com um arcabuze, sendo reverenciado pelos indígenas como amássununga, que quer dizer entre outros: O Trovão, Caramuru, a grande moréia, o dragão que surgiu do mar, homem de fogo. 

Foi assim que em 1509 Diogo Álvares Correia, o Caramuru tornou-se uma grande liderança entre os tupinambás, e como presente do cacique, podia se deitar com as mais belas mulheres. Dentre elas, escolheu Moema, concebendo os primeiros mestiços, que seriam mais tarde denominados de “Brasileiros”. Alvares Correira transformou-se em um grande negociante de pau-de-tinta, talvez o primeiro comerciante brasileiro. Comercializava com os franceses, porque Portugal abandonara o Brasil, nessa época, tendo olhos apenas para o comércio africano. O forasteiro passava muitas horas com Moema e também se afeiçoou a ela. Aprendeu-lhe a fala, o dialeto tupi, e confidenciou-lhe os segredos do seu mundo, um lugar chamado Portugal. Dizia: Na terra de onde vim, em última partida da localidade de Lisboa, não há aldeias e sim cidades com muitas casas feitas de tijolos e pedras, com portas e janelas, trancas de ferro e outros objetos, inclusive um tipo de tocha que clareia as noites. “O local se chama Viana do Castelo e sou uma pessoa distinta e de destaque na cidade, assim com são aqui na Aldeia os guerreiros Piatã e Itapuã.”

Dessa forma, aos poucos, Diogo, entre beijos ardentes, muito amor, ensinou Moema, sua língua estrangeira. Diogo era muito paciente com Moema e contou-lhe toda a sua história de sua vida.

Tendo demorado a aprender o tupi, a decifrar os códigos da linguagem tupinambá, ele despendeu longos períodos para explicar-lhe como e quando ocorrera o seu nascimento em Viana do Castelo, como se processara sua formação cultural desde pequeno, suas idas e vindas aos colégios e como aprendera a ler e escrever pois, em sua terra, havia tinta e papel para elaborar documentos e livros. Moema foi aprendendo com Caramuru.

Moema ficava encantada com as palavras de Diogo, principalmente com a “cidade”. Como seria isso?

O amor entre o vienense a indígena ia muito bem. Entretanto, um dia a história mudou. Diogo, que ajudava a proteger os seus indígenas amigos de outros mais ferozes, foi chamado às pressas para auxiliar o Cacique Taparica da guerra com outros indígenas. Com seus arcabuzes e sua astúcia bélica, saíram-se vencedores.

A noite, para comemorar, o cacique dessa tribo, chamado Taparica, fez-lhe uma festa na Aldeia e lá pelas tantas, apresentou ao Caramuru a sua filha mais bonita, a linda Paraguaçu. Ela lhe disse: “Meu nome é Quaydim-Paraguaçu” e ele embasbacado: “Sou Diogo Álvares Correia”.

Os dois ficaram enebriados e imediatamente se casaram dentro da tribo. Depois da Lua de Mel, Caramuru voltou à aldeia de Piatã e levou consigo Paraguaçu, consciente de haver encontrado a mulher dos seus sonhos nas terras dos brasilíndios.

Quando chegou a aldeia, Moema, sua primeira grande companheira, viu a nativa bela e ficou muito triste. Percebeu que tinha perdido o seu amado. Diogo então, não deu a menor atenção a Moema e nem as suas amantes. Só tinha olhos para Paraguaçu.

Diogo e Paraguaçu fizeram amor a noite toda e no dia seguinte ele anunciou que daquele dia em diante ela seria a única mulher da vida dele, consciente dos muitos “pecados” que havia cometido com outras tupinambás.O tempo foi passando, e Paraguaçu foi conhecendo as outras mulheres da tribo, de linhagem mais nobre, ente elas Indaiá e Inaciara. Fez muitas amizades.

Moema ainda tinha esperanças de recuperar o amado. Certo dia foi em uma pajelança e o xamã assegurou-lhe que a alma de Paraguaçu seria levada para o mundo do Bem, e se distanciaria do português.

Diogo resolveu levar Paraguaçu para a Europa, em 1528, para conhecer seus costumes. Seguiram viagem no navio de um francês, Jacques Cartier, amigo de Diogo e que lhe recomendou que não tivesse mais do que uma mulher. Esse navio foi pilotado por Pierre Du Plesis de Savoières.

No momento em que o navio partiu rumo ao oceano, Moema, sem dizer nada, lançou-se desesperada na água e nadou com fortes braçadas perseguindo a embarcação, gritando o nome de Caramuru, até que as velas sumissem no horizonte. O mesmo aconteceu com a tupinambá, que seguiu seu destino para o fundo do mar, morrendo por amor”.

Arilda Ines Miranda Ribeiro. MULHERES EDUCAÇÃO NO BRASIL COLÕNIA: Historias Entrecruzadas

                      
                                            

  Victor Meireles. (Moema)

Johann Moritz Rugendas. (Indiens dans leur cabane)


"O Carro da Cabocla"



                         “A “Volta da Cabocla” para o Pavilhão da Lapinha repete o movimento de desmobilização do Exército Pacificador, após a vitória contra os Portugueses na Bahia, em 1823.
                           No retorno à Lapinha, os carros emblemáticos que carregam as imagens do Caboclo e da Cabocla, que são puxados pelo batalhão do “Quebra Ferro”, voltam carregados de pedidos, orações, oferendas, flores e presentes.
                          São as imagens uma representação dos homens e das mulheres baianas do povo. Que lutaram bravamente contra a dominação Portuguesa. Provocam curiosidade. e até mesmo veneração. As crendices populares em torno das imagens é tão forte que muitas pessoas colocam bilhetes com pedidos nos carros, fazem orações, tocando com as mãos as imagens, acreditando na realização dos pedidos feitos ao Pé da Cabocla.
                        Esculpido por Manoel Inácio da Costa, o Caboclo representa os índios e mestiços baianos que lutaram pela independência da Bahia contra as tropas Portuguesas, derrotadas no 2 de Julho de 1823.
                       Somente em 1840 ou 1849 (há controvérsias quanto à data precisa), é que surgiu a imagem da Cabocla, representando a índia Catarina Paraguassu e a figura feminina nas lutas pela independência. Já as rodas dianteiras do carro que conduz a imagem da Cabocla são as mesmas de uma das carretas que carregavam os canhões utilizados pelos Brasileiros contra os ataques Portugueses.
                     “As comemorações se iniciaram no dia 25 de junho, com o “Encontro”, na cidade de Cachoeira, do Caboclo e da Cabocla, esta oriunda da cidade de São Félix”.
(FGM)



Julio Simmonds. (O sonho de Catarina Paraguaçú)

Johann Moritz Rugendas. (San-Salvador)







-SALÃO DE AUDIÇÃO -



A Cabocla (Modinha). Àlbum: Boa Viagem




Até breve... amigos !!! 
obrigado por vossa companhia...










segunda-feira, 3 de julho de 2017

Festa na Bahia "Dois de Julho"






Carybé  "Batalha de Pirajá"



                                      O CORNETEIRO DE PIRAJÁ


Quando se proclamou a independência foi a Bahia que mais custou a sair do jugo de Portugal.
O general Madeira de Melo não quis obedecer ao governo brasileiro. Para ele o Brasil era uma propriedade dos portugueses e, portanto, aos por­tugueses devia continuar sujeito, sem nenhum direito de libertar-se.

E comandando grandes forças armadas, compostas de gente portuguesa, tomou conta da província e não consentiu que os baianos gozassem, como os outros brasileiros, da independência proclamada.

Aquilo feriu a fundo o coração dos patriotas da Bahia. Era pela força que Madeira queria impor o jugo de Portugal, só pela força a província proclamaria a sua liberdade.

E a Bahia inteira, a Bahia brasileira, pegou em armas para bater-se contra os inimigos da independência.

Foram penosos os primeiros encontros. Madeira é que tinha armas, munições, navios e dinheiro que lhe vinham constantemente de Portugal.
O governo brasileiro estava no momento cheio de dificuldades e quase não podia ajudar os patriotas baianos.

Os patriotas baianos, porém, defendiam-se e resistiam como leões.
A melhor maneira de vencer as forças de Madeira era encurralá-las de modo que não pudessem receber auxílios. Para isso os baianos formaram postos de ataque aqui, ali, além, por toda a região que na Bahia se conhece pelo nome de Recôncavo.

Um desses postos, justamente o mais forte deles, o mais destemido, aquele em que se reuniam os mais valentes defensores da terra baiana, era o de Pirajá.

Um dia, quando o general Madeira abriu os olhos, Pirajá estava embaraçando os passos do seu exército. O general não podia receber víveres e reforços: tinham-lhe sido tomados os caminhos de terra e mar.

Era necessário, portanto, destruir Pirajá o mais de­pressa possível.

E as forças portuguesas atiram-se contra o posto brasileiro.
É a 8 de novembro de 1822, antes de raiar a manhã.

Deve ser segura, infalível a vitória. As tropas de Madeira, além de bem armadas e mais numerosas, vão fazer o ataque de surpresa.

Está ainda escuro quando os batalhões inimigos de­sembarcam cautelosamente nas praias de Itacaranhas e Plataforma, ao mesmo tempo que, pelos outros lados, o grosso do exército avança rapidamente.

Quando as sentinelas baianas, colocadas em Coqueiro e Bate-Folha, percebem o avanço, não é mais possível fazer nada.

É ao clarear do dia que pipocam os primeiros tiros.
Pirajá inteiro ergue-se para a peleja.

Começa o combate. Madeira, em pessoa, dirige os seus corpos. O que ele pretende é investir por Itacaranhas para cortar a retaguarda dos brasileiros. Mas os nossos vão resistindo e resistindo heroicamente.

Uma hora inteira de fogo.

O general português, surpreendido com aquela resistência, ordena que novas centenas de soldados avancem. Mas os baianos não se deixam vencer.

Mais uma hora de fogo.
Os portugueses vão pouco a pouco conquistando o terreno.

Barros Falcão, que comanda os nossos, percebe claramente a vitória inevitável do inimigo. Mas é preciso lutar. E luta-se mais uma hora.

Madeira está inquieto com a resistência. Agora ordena a novos corpos que avancem em grandes massas. Mas o fogo das linhas brasileiras não cessa um instante.
Novos corpos investem contra os nossos.   Outra hora de peleja e de fogo.

Havia cinco horas que aquilo durava. Os portugueses tinham ganho tanto terreno que, em poucos momentos, os brasileiros estariam num círculo de balas.

Um minuto mais vai dar-se a ruína completa dos baianos. Não há mais resistência possível. Continuar a luta é sacrificar inutilmente centenas de vidas.

Barros Falcão, de um galope, percebe que chegou o momento de retirar-se. A dois passos está Luís Lopes, o cometa, que ele conservou sempre ao seu lado, esperando aquele instante desesperador.

—  Toque retirada!   ordena.
O cometa não se move.

—  Toque retirada, já lhe disse!   grita o comandante pela segunda vez.
O cometa vira-lhe as costas.

Barros Falcão avança de espada em punho para obrigar o insubordinado a cumprir as suas ordens, mas, nesse momento, Luís Lopes cola a cometa à boca e claros sons metálicos retinem nos ares.

O comandante agita-se, surpreendido. — Que é isso?  que é isso?

Não é o sinal de retirada que está ouvindo. É que a corneta está soprando loucamente no espaço é o sinal de “avançar cavalaria e degolar”.

Pararam todos, alarmados: o comandante, os oficiais, os soldados. Que cavalaria é aquela que aquele doido está mandando avançar?

No exército português é brutal a surpresa. É a confusão. E o pavor.

É a debandada louca.

Fogem todos alucinadamente daquela cavalaria que não existe.

Fogem todos, todos feridos por aquele toque de corneta que vale mais do que cinco horas de tiroteio, mais do que a própria voz dos canhões.

(Viriato Correia, MEU TORRÃO: Contos da Minha Pátria, Rio de Janeiro, 1953). 



                                                Carybé  "Batalha de Pirajá"


                         
                                                        Carybé  "Carnaval"

"As festas duravam uma semana. Começavam logo após o São João com os Bandos Anunciadores e tinham o seu apogeu na véspera do Dois de Julho quando a cidade se iluminava com as chamadas lanternas, espécie de gambiarras de candieiros e o povo percorria as ruas portando archotes. As tochas, os fogos de artifício, os bailes de mascarados no Teatro São João e em residências particulares e os arcos triunfais confeccionados com palmeiras e expostos em vários pontos de Salvador davam o tom do espetáculo."

"As festas do Dois de Julho no século XIX eram bem diferentes do que são hoje, mas sempre com expressiva participação popular. E o negro foi incorporado no préstito do desfile, mas como coadjuvante, através dos grupos de cocumbis, que um dia inspiraram os afoxés, com as suas danças marcadas por batucadas e que naquele tempo divertiam a elite baiana, com a sua ginga “extravagante”. Era um aspecto carnavalesco do desfile que incluía carroças puxadas por seis bois contendo alimentos para distribuição nas prisões."

(Nelson Cadena)




                                           
                                       Villa Velha (Chula). Àlbum: Villa Velha 

                                       
                                                             

                                                  - Salão de Audição -
                                          
                                                                            
                                https://www.youtube.com/watch?v=ZiZDIRwAjGc




                                Até breve... amigos !!! e obrigado pela companhia...
                                                         



sábado, 24 de junho de 2017

Viva !!! Sâo Pedro...



 Sâo Pedro "Caravaggio"

                                       
                                                          
São Pedro – Discípulo, santo chaveiro, primeiro papa, festejado a 29 de junho, juntamente com São Paulo, aparece nas estórias populares como personagem astuto, finório, espécie de Pedro Malasartes, com maior dignidade, mas desenvoltura; idêntica. De sua simplicidade e boa fé, espontânea credulidade, visíveis no Novo Testamento, o povo o tornou uma expressão curiosa, que outrora, que ora se liberta de circunstâncias aflitivas ou difíceis com imperturbável sangue frio, ou resolve essas situações com processos não muito ortodoxos, mas perdoados pela indulgência de Jesus Cristo, seu companheiro nas jornadas.
(Câmara Cascudo, DICIONARIO DO FOLCLORE BRASILEIRO, pag. 494, Rio de Janeiro, 1954).


                                   Ângela Gomes "Procissão Marítima"

Bandeira Furtada – Era uma tradição popular em certas localidades do Norte brasileiro furtar uma das bandeiras hasteadas á porta de casas residenciais, e comunicar depois a futura devolução, com cortejo solene. Recebiam a bandeira furtada com festas, bailes, musicas. O habito de ter a bandeira á porta era privativo da época joanina, de Santo Antônio, 13 de junho a São Pedro, 29. Sempre era a data escolhida para a devolução da bandeira. “Uso daquela época era reunirem-se vários rapazes sempre naquela postada à frente da casa de gente distinta, abastada, que contasse com algumas moças bonitas. Conduziam o estandarte e, no dia seguinte, por meio de uma carta em boa caligrafia, e melhor adjetivada, comunicava-se ao chefe daquela família, que, na véspera de são Pedro, seria realizada a “entrega” com toda solenidade. Realmente, pelas oito horas da noite do dia indicado, numa charola bem confeccionada, conduzida por moças caprichosamente vestidas, cantando um hino sob acompanhamento de uma banda musical, vinha à bandeira furtada. À frente, os membros da comissão e demais associados, queimavam busca-pés e fogos-de-bengala, por ultimo, os curiosos. A recepção sempre pomposa; salão repleto de famílias, discurso de entrega, discurso de agradecimento, danças animadas, banquetes à meia-noite. Mais discursos brindando os donos da casa, o belo sexo, umas modinhas, algum recitativo, continuação das danças até os primeiros claros da manhã”.
(Cariolano de Medeiros, O TAMBIÁ DA MINHA INFÂNCIA, págs. 49 – 50, João Pessoa, 1942).


                             Papas Stefanos "Festa na Roça"                          

 Comemoração – É festejada semelhantemente a São João, embora em menor escala. Na Bahia os festejos eram promovidos especialmente pelos sacerdotes seculares (presbíteros de São Pedro) e pelas viúvas, atendendo á tradição popular de o santo ter enviuvado. É festejado pelos marítimos, por ter sido pescador, com missas votivas, desfiles marítimos, etc., em vários lugares, entre eles no Rio de Janeiro. ”Foi na noite de 28 de junho que chegamos nos arredores de Campinas. A radiosa beleza da noite tropical tornava-se ainda maior pela iluminação da cidade, pelas imensas fogueiras espalhadas pela planície, e brilhantes fogos de artificio lançados de todas as ruas e de todas as plantações circundantes. Os clarões e o barulho eram tais que sem qualquer esforço de imaginação, terse-á acreditado estar perto de alguma cidade sitiada, durante um violento bombardeio. Era a “Véspera de São Pedro”. E todo homem que tinha um Pedro ligado a seu nome, sentia-se na obrigação de acender uma imensa fogueira diante de sua porta, e soltar uma porção de foguetes, além de descarregar inúmeras pistolas, mosquetes e morteiros, sob semelhante tormenta entramos em Campinas”.
(D.P. Kidder e J.C. Fletcher, O BRASIL E OS BRASILEIROS. II pag. 107, São Paulo, 1941).

                       
                                                  Alfred Volpi "Mastro de São Pedro"




                                           
                                    Estrada de Boiada (Xote) Àlbum Fonte Nova

                                           

                                     
                                                    Sala de Audição:                                                                

                                  https://www.youtube.com/watch?v=DY_8WVsXghk

                                          Até breve... Amigos e boas festas !!!                  

quarta-feira, 7 de junho de 2017

São João


- São João - 
 

São João – Santo católico, primo de Jesus Cristo, nascido a 24 de junho, degolado no Castelo de Macheros, Palestina, a 29 de agosto do ano de 31. Pregador de alta moral, áspero, intolerante, ascético, São João é festejado com as alegrias transbordantes de um Deus amável e dionisíaco com farta alimentação, musicas, danças, bebidas e uma marcada tendência sexual nas comemorações populares, adivinhações para casamentos, banhos coletivos pela madrugada, prognóstico de futuro, anúncio da morte no curso do ano próximo. O santo segundo a tradição, adormece durante o dia que lhe é dedicado tão ruidosamente pelo povo, através dos séculos e países. Se ele estiver acordado, vendo o clarão das fogueiras acesa em sua honra, não resistirá ao desejo de descer do céu, para acompanhar a oblação, e o mundo acabara pelo fogo.
                                                  
                                                          Se São João soubesse
                                                          Quando era o seu dia
                                                          Descia do céu á terra
                                                          Com prazer e alegria

                                                          Minha mãe quando é meu dia ?
                                                          - Meu filho já se passou !
                                                          - numa festa tão bonita
                                                          Minha mãe não me acordou ?

                                                          Acorda João !
                                                          Acorda João !
                                                          João está dormindo
                                                          Não acorda, não !

(Câmara Cascudo, Dicionário do Folclore Brasileiro, pág: 328, Rio de Janeiro, 1954.)

São João Menino

         
Bom dia... Amigos do Folclore Brasileiro, desejemos-lhes um bom” mês joanino”. Com muitas comidas tradicionais, novenas, fogueiras, balões, quebra potes, paus de sebo, quadrilhas, casamentos na roça, licores e canções joaninas para a alegria e felicidade vindoura... Até São Pedro !!!

ROSANGELA BORGES TEMA BRINCANDO NO PAU DE SEBÓ


Adivinhações –
2- “Em noite de São João faz-se pirão com um pouco de farinha e pôe-se-lhe dentro um caroço de milho: com os olhos fechados, divide-se o pirão em três porções e se coloca um na porta da rua, outra sob o leito e a terceira na porta do quintal: se fôr encontrado o caroço de milho na porta da rua, é sinal de próximo casamento, se sob o leito o casamento é demorado, se na porta do quintal, não há possibilidade de casamento.”
Barão de Studart. Antologia do Folclore Brasileiro, pág. 301 – 303

(Câmara Cascudo, Dicionário do Folclore Brasileiro, pág: 329, Rio de Janeiro, 1954.)


Lurdes de Deus

 Papas Stéfanos

 "Festa de São João" - Anita Malfatti

"Noite de São João" - Cândido Portinari 


Heitor dos Prazeres "Festa de São João"


 Fotografia Adela Aragón López


  Fotografia Adela Aragón López


  Fotografia Adela Aragón López


  Fotografia Adela Aragón López


  Fotografia Adela Aragón López


  Fotografia Adela Aragón López


 Fotografia Adela Aragón López




São João (Xerem) Álbum Cisca-Fogo

Sala de Audição:


Até breve... Amigos e boas festas !!!


quarta-feira, 31 de maio de 2017

Santo Antônio, São João e São Pedro.



                                  - SÃO JOÃO ­-     


São João – para o Brasil a devoção foi trazida pelos portugueses e espalhada com a satisfação de um hábito agradável. A maneira de comemorar o santo era a mais sugestiva e fácil para o proselitismo. Os indígenas ficaram seduzidos. Em 1583 o jesuíta Fernão Cardim, indicando as três festas religiosas celebradas pelos indígenas com maior alegria, aplauso e gosto inicial, escreveu: “ A primeira é as fogueiras de São João, por que suas aldeias ardem em fogos, e para saltarem as fogueiras não os estorva a roupa, ainda que algumas vezes chamusquem o couro”. (Tratado da Terra e Gente do Brasil, 316; Rio de Janeiro, 1925). 
(Câmara Cascudo. Dicionário do Folclore Brasileiro. Pág. 328; Rio de Janeiro, 1954).

 «Festa de São João em Guirlanda»
Anita Malfatti



«Samba»
Anita Malfatti



Bom dia... Amigos!!!  Nessas “Festas Joaninas” estaremos juntos com nossas Canções e as Folias e Adivinhações Joaninas.
 Santo Antônio



Adivinhações – O Barão de Studart reuniu uma série de Adivinhações feitas na noite de São João, noite de 23 de junho. (Antologia do Folclore Brasileiro, pág.301 – 303):
1 – “Em noite de São João, passa-se um ramo de manjericão na fogueira e atira-se ao telhado, se na manhã seguinte o manjericão ainda está verde, o casamento é com moço. Se murcha, é com velho”. É reminiscência da tradição já antiga no tempo de Cristo. O Evangelho  apócrifo de São José registra o episódio da escolha do ancião para esposo da Virgem Maria. Doze velhos conduziram para o templo doze bastões e o de São José se cobriu de lírios, símbolo de vida casta. O enverdecimento vegetal ocorre sempre como símbolo da existência humana. Nas arvores que representam os heróis nos Contos Populares. Há o emurchecimento, quando o representado está morto ou em perigo de morte.

(Câmara Cascudo. Dicionário do Folclore Brasileiro. Pág. 329; Rio de Janeiro, 1954)

Fotografia Adela Aragón López


Fotografia Adela Aragón López


Fotografia Adela Aragón López


Fotografia Adela Aragón López



Carro de Boi ( Côco do Sertão)
Álbum: Cisca Fogo




Sala de audição 



Até breve amigos...