segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Antes do registro alcançado por uma expedição portuguesa o território que hoje é chamado de Brasil era habitado por indígenas. Este  é o primeiro contato para a nossa Nação. Berço de uma ancestraliade musical. Pois bem amigos, a Mala do Folclore se despede do Porto Fonte Nova navegando para o mar direto ao Porto Lua Cheia. Fica aqui nossas canções e poesias com os ritmos Marcha de Rancho, Cateretê e Cantiga de Roda. 



                                Arquivo http://www.brasilescola.com/




Marcha de Rancho – “(...), esses Ranchos vão até a Lapinha, onde a comissão dos festejos dá um ramo ao primeiro que chega. Todos eles cantam e dançam nas casas por dinheiro. Suas danças consistem num Lundu sapateado, no qual a figura principal entra em luta com o seu condutor que sempre o vence; depois jogam sempre dançando e cantando, um lenço aos donos da casa que restituem-no com dinheiro amarrado numa das pontas e saem cantando dançando,batendo palmas, arrastando os pés, num charivari impossível de descrever-se.”(...). 
(Nina Rodrigues – Os Africanos no Brasil, São Paulo, 1932, pags. 263-265). 
“O Rancho de Cantores que nos Açores saem cantando e pedindo para obras pias, durante Reis e Sebastianas (6 e 20 de janeiro)”.
(Teófilo Braga – O Povo Português nos seus Costumes,Crenças e Tradições, II , pag. 258, Lisboa, 1885). 
“Durante o Carnaval no Brasil, no Rio de Janeiro preferencialmente, os Ranchos aparecem como grupos de foliões, com instrumentos de corda e sopro, cantando em côro verso musicados e alusivos ao grupo, a Marcha do Rancho ou mesmo os mais populares na ocasião, esses Ranchos, que Renato Almeida estudou, passaram lentamente a Préstitos, com Reis e Rainhas, Pajens, Bandeiras, Alegorias, com danças particulares para algumas figuras componentes. Tiveram o nome de Cordões, mas últimamente o Rancho prevaleceu”.
(Luis da Câmara Cascudo – Dicionário do Folclore Brasileiro, pag.540, Rio de Janeiro – 1954).


Cateretê – Dança rural do sul do Brasil. Conhecida desde a época colonial, em São Paulo, Minas e Rio de Janeiro. Couto de Magalhães informa tê-la incluído o Padre José de Anchieta nas festas da Sta. Cruz, São Gonçalo, Espírito Santo, São João e Nossa Senhora da Conceição, compondo verso no seu ritmo e solfa, dizendo-a profundamente honesta. Podia ate ser dançada sem mulheres. E ainda a dançam assim em certas paragens de Goiás, a Catira. Stradelli crê o Cateretê indígena. Artur Ramos, africano. Ezequiel, citado por Teófilo Braga, deduziu-o como a dança do Séc.XVI que se chamou Carretera em Portugal. A dança tem alguns elementos fixos, apresentando variações na música e na coreografia. Duas filas, uma diante da outra. Evolucionam, ao som de palmas e de bate-pés, guiados pelos violeiros que dirigem o bailado. As figuras são diversas e há tradições de bons dançadores. Especialmente nos tempos do sapateado indispensável.
(Luis da câmara Cascudo – Dicionário do Folclore Brasileiro, pag. 163, Rio de Janeiro – 1954).
 Cantiga de Roda – (...) “Todas essas cantigas estão vivas na nossa memória, em doce recordação, quando as ouvimos nos brinquedos dos nossos filhos. Não há dúvida de que pouco na roda infantil brasileira é especialmente nacional, mas talvez a razão disso seja o fato de, adotadas as Lusitanas, ou ainda as de procedência Francesa, nos terem servido tão bem, na sua ingênua simplicidade, que duraram e, ao revés das outras formas musicais importadas, que se mesclaram e transmudaram em matéria nova. As Cantigas de Roda defenderam o caráter primitivo o mais possível. Sem embargo, é preciso notar que, em vários pontos do pais, os garotos já se apropriaram de Toadas locais para as suas rodas. Cantando-as porém. Com um caráter próprio. É digna de registo a influencia Francesa nas Cantigas de Roda”(...).
(Renato Almeida – Historia da Musica Brasileira, pags. 107 – 108).



Arquivo Particular
Ana Maria & Matias Moreno ( acompanhados pelo Trio Folclórico Brasileiro ).


Lua Cheia

Balança a maré 
entrada para o Mar, 
lembranças boas do Porto Fonte Nova. 
Vem aí a Lua Cheia!. 

Até breve amigos! Visitem nosso endereço eletrônico : http://www.youtube.com/watch?v=QSNJ-xQex8U&list=PLauw-H4ZP_KUnlfMIQgY0rvGlSXYkk3EX








segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Caminho das águas




Conta-nos a história sobre o encantamento do estrangeiro ao adentrar a Baía, que hoje guarda o nome de Todos os Santos. Algo tão desconhecido e sutilmente surpreendente quanto o ritmo Toada, que a Mala do Folclore mostra com mais duas preciosidades de nosso cabedal musical.



arquivo pessoal


Toada – Cantiga, Canção, Cantilena; a melodia nos versos para cantar-se.
(Câmara Cascudo Luis, Dicionário do Folclore Brasileiro, pag.615, Rio de Janeiro, 1954.)

“Musica confusa, sons ruidosos, que nada dizem, sinônimo de solfa”
(Izaac Newton, Dicionário Musical, pag.283, Maceió, l904.)



Repente Amartelado – “Não há informação ameríndia para fixar a presença do Desafio na America pré-colombiana ou pré-cabralina. Os Árabes conheciam o Desafio, e a influencia é visível na música dos Cantadores sertanejos. O Desafio na África é uma projeção Árabe. Como o Desafio é, em linha reta, vindo do canto Amabeu e este pertencia a ciclo pastoral, acompanhado pelos instrumentos de sopro, os Cantadores do Nordeste cantam o Desafio, o velho, o legitimo, o verdadeiro, sem acompanhamento musical. No intervalo e entre a pergunta e a resposta executam um pequeno trecho, exclusivamente musical, enquanto um dos adversários prepara o verso seguinte. Noutros exemplos, embora sem o acompanhamento ao canto, fazem ouvir um arpejo no fim de cada verso, jamais coincidindo com a voz humana”.
(Luis da Câmara Cascudo, Vaqueiros e Cantadores, pags. 125-180, Porto Alegre, 1938).

“No Brasil, a tradição medieval ibérica dos trovadores deu origem aos cantadores – ou seja, poetas populares que vão de região em região, com a viola nas costas, para cantar os seus versos. Eles apareceram nas formas da trova gaúcha, do calango (Minas Gerais), do cururu (São Paulo), do samba de roda (Rio de Janeiro) e do repente nordestino. Ao contrário dos outros, este último se caracteriza pelo improviso – os cantadores fazem os versos "de repente", em um desafio com outro cantador. Não importa a beleza da voz ou a afinação – o que vale é o ritmo e a agilidade mental que permita encurralar o oponente apenas com a força do discurso. 
A métrica do repente varia, bem como a organização dos versos: temos a sextilha (estrofes de seis versos, em que o primeiro rima com o terceiro e o quinto, o segundo rima com o quarto e o sexto), a septilha (sete versos, em que o primeiro e o terceiro são livres, o segundo rima com o quarto e o sétimo e o quinto rima com o sexto) e variações mais complexas como o martelo, o martelo alagoano, o galope beira-mar e tantas outras. O instrumental desses improvisos cantados também varia: daí que o gênero pode ser subdividido em embolada (na qual o cantador toca pandeiro ou ganzá), o aboio (apenas com a voz) e a cantoria de viola”.
(Silvio Essinger)


Canção do Mar - "Para o folclorista Luís da Câmara Cascudo, Dorival Caymmi inventou um gênero, já que não havia antes nada que se assemelhe às suas praieiras; músicas como "A Lenda do Abaeté", "O Vento", "Canoeiro" e "O Mar", trazem um violão único que se transforma nas coisas que canta, apagando as fronteiras entre a música e o que ela "descreve”. Para quem escuta o LP, a sensação que fica é de que o sargaço, a rede, a jangada, o dorso do pescador, o amor de Rosa por Pedro, tudo está inebriado pelo violão e a voz do cantor".  ( Breno Procópio )

imagem http://agenciaboaimprensa.blogspot.com.br/

Pois bem amigos de "terras brasilis", estamos firmes no leme em busca das sonoridades de nossa Música Brasileira. A estada no Porto Fonte Nova, vai construindo um riquíssimo caminho, que pela nossa carta nautica nos levará ao Porto Lua Cheia. Estaremos sempre no nosso endereço musical, aguardando sua visita. E vamos que vamos!.               


                                  imagem: http://botelhoba.wordpress.com/






terça-feira, 15 de outubro de 2013

Preciosidades da Música Folclórica!

Cd Fonte Nova

Ficha Técnica:
Ao Canto: Ana Maria
Ao Canto e Violão: Matias Moreno
Autor e Compositor: Matias Moreno
Percussão: Sarmento
Efeitos Percussivos: Emiliano
Teclados e Efeitos: Robson
Violino: Mateus Costa/ faixa 07 com Olivaldo.
Participação dos Pataxó hã-hã-hães faixa 01

Estudio: Belwedere  
Foto:Dominique
Ilustração: Renée Lefevre


Arquivo particular.




As atividades musicais, do nosso Brasil, durante o período Colonial entremeia as manifestações de nossa origem. Assistindo a Bahia de Todos os Santos, define-se em nossa Mala do Folclore os Ritmos que nascera com nossa gente. No embalo das marés adentramos no xaxado e suas origens




Pesquisa :(http://fabiopestanaramos.blogspot.com.br/2010/11/historia-da-infancia-e-da-educacao.html )




Xaxado -
Quando eu entro no xaxado
Ai meu Deus
Eu num paro não
Xaxado é dança macha
Primo do baião
(Luiz Gonzaga e Hervé Cordovil)

Segundo o folclorista Roberto Benjamin, o xaxado é um ritmo e uma dança sertanejos, com evidentes características de culturas indígenas, originário das regiões do Pajeú e Moxotó (Pernambuco).

             Há controvérsias, no entanto, sobre a origem do xaxado. Alguns pesquisadores, como Benjamin e Luís da Câmara Cascudo, afirmam que é uma dança originária do alto Sertão de Pernambuco, outros que ela tem sua origem em Portugal e alguns outros ainda dizem que sua origem é indígena.

            Pesquisas indicam que a dança já era conhecida nas regiões do Agreste e Sertão pernambucano desde 1922. 

            A palavra xaxado é uma onomatopeia do barulho xa-xa-xa, que os dançarinos fazem com as alpercatas arrastadas no chão durante a dança.

            A dança é executada em círculo, com os dançarinos em fila indiana, um dançarino atrás do outro, sem volteio, cada participante fazendo três ou quatro movimentos laterais com o pé direito na frente, arrastando o esquerdo, numa espécie de sapateado rápido.

           Antigamente, era uma dança exclusivamente masculina, que foi divulgada pelo Nordeste brasileiro por Lampião e seu bando, por isso ela ficou sendo associada ao Ciclo do Cangaço. Os cangaceiros usavam a dança como grito de guerra ou para celebrar vitórias. O rifle substituía a mulher. Como dizia o cantor e compositor Luiz Gonzaga, um dos grandes divulgadores do xaxado,  " O rifle é a dama ".

           Originalmente o xaxado não era acompanhado por instrumentos. Só havia o canto, com quadras e refrão, o arrastar das alpercatas e o compasso sendo marcado pela pancada da coronha do rifle no chão. As letras das músicas eram sempre agressivas e satíricas, motivo pelo qual Câmara Cascudo considerou o xaxado como uma variante do Parraxaxá, um canto de insulto dos cangaceiros, executados nos intervalos das descargas dos seus fuzis contra a polícia: 

"Eu não respeito poliça
Soldado nunca foi gente
Espero morrer de velho
Dando carreira em tenente

Aí moleque Higino
Só tenho pra te dá:
A bala do meu rifle,
A ponta do meu punhá!"
            (cultura popular) 

           Hoje, a dança não é mais exclusivamente masculina, sendo dançada aos pares. O vestuário dos grupos evidencia a sua origem, uma vez que os dançarinos se trajam de cangaceiros e cangaceiras. Na maioria das vezes, no entanto, só os homens portam o rifle. São acompanhados também por pífanos, zabumbas, triângulos e sanfonas.

           Foi muito divulgada também por conjuntos regionais paraibanos, o que fez com que fosse criada indevidamente a expressão xaxado da Paraíba.

           Atualmente o xaxado só é visto em coreografias estilizadas de grupos artísticos, que se apresentam principalmente nas festas juninas, sendo executado basicamente em duas fileiras, uma masculina outra feminina. Os dançarinos fazem evoluções, dançam juntos ou separados, arrastando sempre as alpercatas no chão.(Recife, 30 de abril de 2010. GASPAR, Lúcia. Xaxado. FONTES CONSULTADAS: BENJAMIN, Roberto. Xaxado. In: Folguedos e Danças de Pernambuco. Recife: Fundação de Cultura Cidade do Recife, 1989. p. 100-103.CASCUDO, Luís da Câmara. Xaxado. In: FOLCLORE. Recife: Secretaria de Educação e Cultura, 1975. p. 43. FERRAZ, Marilourdes. O canto do acauã. Belém: [s.n.], 1978.  ).



Canção – A Canção Brasileira existe há três séculos. Acredita-se que já fazia parte das óperas de Antonio José da Silva, O Judeu, tão apreciadas, naquela época, nas duas pátrias; lemos suas virtudes cantadas por célebres viajantes estrangeiros; salta-lhe a melodia dos “Árcades Mineiros”; vemo-la em todos os salões, elegantes e modestos, até assumir a forma erudita na pena de Alberto Nepomuceno. Não vou aqui mostrar a evolução da Modinha, nem examinar de perto a influência poderosa que a Ópera italiana e a Valsa nela exerceram, pois o assunto já foi exaustivamente estudado por Mário de Andrade em Modinhas Imperiais.
(Vasco Mariz, A Canção Brasileira (Erudita, Folclórica, Popular), pag. 20, Rio de Janeiro, 1977). 


É no recorte sincrônico da história da música, que vamos, embalados pelo ritmo Batucada 


       - É  Batucada - 

Samba de morro, não é samba
É batucada, é batucada
Samba de morro, não é samba
É batucada, é batucada

Lá na cidade a história é diferente
Só tira samba malandro que tem patente
Lá na cidade a história é diferente
Só tira samba malandro que tem patente

Nossas morenas vão pro samba bonitinhas
Vão de sandália e saiote de preguinha
Nossas morenas vão pro samba bonitinhas
Vão de sandália e saiote de preguinha       
(Caninha / Visconde Bicohyba)



Batucada – ritmo ou canção do Batuque informa o Pequeno Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa. – O mesmo que Batuque. Baile com instrumentos de percussão, cantando-se versos, respondidos pelo côro. Não há Batucadas com instrumentos de corda e de sopro, dizem os mestres na espécie no Rio de Janeiro. Baile de gente pobre é batucada. Nenhuma dança caracteriza a Batucada por que todas são de roda, com um ou dois dançarinos fazendo letras no centro. A origem desse bailado é a África; ensinam. É bailado indígena, respondem, apontando os desenhos nos livros de Bry e as informações dos cronistas coloniais, especialmente Lery e Staden. A origem é do homem e essas danças com instrumentos de percussão, palma de mão ou batidas em qualquer superfície, existem por toda parte, e os viajantes encontraram por todo o mundo, Europa, Ásia, África, América, Oceânia. Devem existir em Marte, Júpiter e Urano.
(Luis da Câmara Cascudo, Dicionário do Folclore Brasileiro. Pag. 94, Rio de Janeiro). 

Até Mais Amigos e até a próxima.


 Visite nosso endereço musical http://www.youtube.com/watch?v=n4Ek_ONZ8tc



 

 

 

 

 

 

 












segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Aportamos FONTE NOVA!


Onde se abriga barcos, abriga-se também a história de nossa gente e a criação de nosso arcabouço Folclórico. O qual, nossa Mala do Folclore, alenta-se. Pois bem, estamos já tranquilos, despedidas e novas perspectivas à porta, digo, ao mar.


arquivo particular


  Um momento ímpar, encontrarmos os brasis em capital da Bahia, donde nasce o Brasil. Assim como, encontrarmos no Fonte Nova os Ritmos Nativos que agora apresentamos.

Caiapó – “Os portugueses têm muita escravaria destes índios cristãos. Têm eles uma confraria dos reis em nossa igreja, e por ser antes do natal, quiseram dar vista ao padre visitador de suas festas. Vieram um domingo com seus alardos á portuguesa, e a seu modo com muitas danças, folias, bem vestidos, e o rei e a rainha ricamente ataviados, com outros principais e confrades da dita confraria; fizeram no terreiro de nossa igreja seus caracóis, abrindo e fechando com graça por serem mui ligeiros, e os vestidos não carregavam muito a alguns por que os não tinham”. (Fernão Cardim – Tratados da Terra e Gente do Brasil. Pags. 342- 343, Rio de Janeiro, 1925).


Xote – “Schottisch – Apareceu durante a Regência e dominou na Maioridade e Segundo Império, tendo mais de mil composições dedicadas ao gênero. Dança de salão, aristocrática, passou ao povo e, desaparecendo da sociedade onde viera, incorporou-se aos bailes populares e regionais, sendo o ritmo de muita dança velha, como arrepiada, jararacas, serrote, etc. no Rio Grande do Sul havia e há vários tipos de “Schottischs”, com denominações especiais e típicas. O ritmo vivo de 2/4, presto dá para animar a festança. “Schottisch” e Polca foram expulsos dos bailes de gente ilustre, mais continuam vivos nas alegrias do povo. Nos estados do Nordeste, nos bailes de “rifa” ou nos bailes de “quota”, indispensavelmente, o fole, harmônica. sanfona ou realejo sacode para o ar o desenho melódico de muito “Schottisch”, antigo, e também inúmeros criados pelos sanfoneiros.
(Luis de Câmara Cascudo, Dicionário do Folclore Brasileiro, pag. 568, Rio de janeiro – 1954). 

Samba de Lavagem - “Quem não recorda na Bahia, dos longos séquitos de aguadeiros e carroceiros a guiar cavalos e muares enramados com folhagem de pitanga e barulhentas carroças atacadas de lenha pela calçada do Bonfim até o adro da igreja, onde já tripudiavam crioulas e mulatas, gente de todas as castas e matizes, com a bateria de tinas, bacias, esfregões e vassoras? quem a viu, que a esquecesse aquela extraordinária festa da água e álcool, aquele enorme disparate de benditos e chulas, de rezas e gargalhadas, de gestos contritos e bamboleios impudicos ? a Vênus hotentote já exibia as suas opulências carnais e os seus rebolados de dançarina. Os ranchos de aguadeiros, despejando os barris, cambavam com garganteios estentóreos. Soavam bacias como sinos rachados. O estrépito das palmas formava um matraquear ensurdecedor. Num mesmo instante, joelhos que se dobravam ante os altares, estiravam-se ágilmente nos passos e voltas de um atrevido fandango. Enquanto as vassoras chapinhavam nas lajes da nave, olhares caprinos, incendiados em chamas alcoólicas, devoravam colos negros e impantes, onde as contas do rosário vibravam como guizos de mascarado. Não faltavam ao espetáculo nem as gaiatices do espirituoso capadócio, nem músicas apropriadas ao tom da colossal pagodeira”. (Ernesto Matoso. Cousas do Meu Tempo, pag. 25, Bordeaux, 1916). 



fotografia de Pierre Verget (http://culturadigital.br/).
Fotografia de Pierre Verget.

Assim vamos recolher as velas por hoje... E nos prepararmos para o próximo Post. Nos veremos para falar da nossa gente, nossa cultura e nossa música. Até breve amigos e vamos que vamos!                                     

Visite nosso endereço musical http://www.youtube.com/watch?v=n4Ek_ONZ8tc.