segunda-feira, 25 de novembro de 2013

A Estrada Real se apresenta.










praça rui barbosa déc20 (http://www.ufrb.edu.br/lehrb/2013/06/11/as-estradas-de-ferro-nos-chaos-do-reconcavo/)


Aqui estamos em frente à Ferrovia da Cidade de Senhor São Felix , em direção à cidade de Cruz das Almas, ao encontro de amigos. Enfim, estamos nos despedindo do Porto Lua Cheia e a Mala do Folclore sobe o morro se enchendo de expectativas e nos deixando os Ritmos Choro Canção, Canção do Cais e Serenata. 



Choro-Canção – Como varias expressões do nosso populário teve logo a forma diminuitiva de Chorinho. O Choro é carioca. Veio da Cidade Nova, por volta do meado do século passado, e depois se tornou coisa muito nossa. Antigamente era comum ouvi-lo pelas noites afora, passeando pelas ruas, em intermináveis serenatas. Os Choros tocavam musicas populares comuns, a que depois deram um traço próprio e uma expressão típica, foi um dos fatores que mais contribuíram para fixação dos elementos da musica carioca. Se, em geral, é sentimental, muitos são alegres, espevitados, como aquele magnífico Apanhei-te Cavaquinho, de Ernesto Nazareth. A modulação do Choro foi sempre curiosa, passando do modo maior para o menor e volvendo ao maior, ou vice-versa, variando sempre o modo nas suas três partes, não tinha canto. Há alguns anos, porém, começaram a aparecer letras para os Choros e a dividi-los em duas partes apenas, e assim já os há numerosos.
(Renato Almeida, HISTORIA DA MUSICA BRASILEIRA, pag. 112). 

 Canção do Cais – “Os negros e os mulatos que têm suas vidas amarradas ao mar têm sido a minha mais permanente inspiração. Não sei de drama mais poderoso do que o das mulheres que esperam a volta, sempre incerta, dos maridos que partem todas as manhãs para o mar no bojo dos leves saveiros ou das milagrosas jangadas. (“...) Tratei desses motivos porque nada mais sou que um homem do cais da Bahia, devoto eu também de Yemanjá, certo eu também que estamos todos nós nas suas mãos, rogando-lhe que não envie os ventos da tempestade, que seja de bonança o mar da minha vida”.
(Dorival Caymmi, na introdução de CANCIONEIRO DA BAHIA) 

Serenata - É o canto e música instrumental executados ao sereno, ao ar livre diante da casa de quem dedica a homenagem. Tínhamos as Serenatas amorosas, canções e modinhas entoadas á porta da namorada, como também as homenagens sociais, prestadas por um grupo que desta forma significava admiração. Até as primeiras décadas do Séc. XX a Serenata era uma instituição social. Nas noite de luar percorria as residências dos amigos, cantando e repetindo ceias, até o amanhecer. Mandava o protocolo que as portas e janelas estivessem fechadas e fossem abertas depois de cantada a primeira modinha. Todo o Brasil conheceu e usou a Serenata que de todo ainda não desapareceu. Um poeta norte-rio-grandense, Cosme Lemos, denominou seu livro de versos, Um Lugar na Serenata, por que fizera versos para ter direito de acompanhar os seresteiros na serra do Martins. O pernambucano Silveira Carvalho decidira:
                                        Quem ama pra dar provas
                                        Deve três cousas comprir:
                                        Tocar violão, fazer trovas,
                                        Havendo lua não dormir!
(...) Esses cantos diante da porta. Por todo o Sêc. XIX parte essencial da produção poética destinava-se ás Serenatas. Obrigatoriamente o único instrumento de sopro nas Serenatas era a flauta. Os demais, de cordas, o indispensável violão, os cavaquinhos, ás vezes o violino e depois o bandolim, solista, nos intervalos, melocomentando a modinha. Ao redor da Maioridade, 1840 em diante. Foi o domínio da Serenata. E as modinhas e canções dedicadas ao canto ambulatório e noturno são em números infinito. Tôdas as cidades, vilas e povoações tiveram suas glórias e possivelmente seus sucessores atuais. Como um testemunho de sua vitalidade, na lua cheia de setembro de 1951, ás duas horas da manhã, recebi em Natal a homenagem duma Serenata. Bandolins e violões veteranos, ressuscitando as velhas valsas sonorosas de meio século.
(Luis da Câmara Cascudo, DICIONARIO DO FOLCLORE BRASILEIRO, pags. 576 e 577. Rio de Janeiro – 1954).

“Prima nocte domum Claude, neque in vias / sub cantu querulae despice tibiae / et te saepe vocanti / duram difficilis mane”. Horacio, ODES ( III, X e VII ), Ad Asteriem

“When a Young man sees a girl whom He desires for a wife, He first endeavours to gain the good  Will of the parents; this accomplished he proceeds to Serenate, his ladylove, and will often sit for hours. Day after day, near her house, playing on his flute. (Bancroft, NATIVES RACES OF THE PACIFIC STATES. I, pag. 549)



                                     arquivo particular

Ficha Técnica :
Ao Canto e Afoxé : Ana Maria 
Ao Canto e Violão : Matias Moreno
Autor e Compositor : Matias Moreno

Violão Solista : Toninho Nascimento
Percussão: Bando do Bonfim, Sarmento, Bonfim, Jonathan e Sarmento Jr.
Violino : Mateus Costa

Estúdio : Belvedere
*Foto : Dalmo Oliveira

E assim nos despedimos Adeus Porto Lua Cheia! Breve estaremos na Estrada Real Estação Villa Velha ( Ramal Feira de Santana ).  
"... Como forma de retribuir a lealdade dos que lutaram na guerra de Independência da Bahia, o Imperador Dom Pedro II sancionou o Decreto Imperial n.º 1.242, de 16 de junho de 1865, estabelencendo que: "Autorisa o Governo a contractar com a Companhia, que se organisar, a construcção de uma via férrea, que poderá ser pelo systema tram-road, conforme fôr mais conveniente, entre a Cidade da Cachoeira e a Chapada Diamantina na Provincia da Bahia, com um ramal á Villa da Feira de Santa Anna (...)".1 2  http://pt.wikipedia.org/wiki/Estrada_de_Ferro_Central_da_Bahia )" .  

Visitem nosso endereço eletrônico : http://www.youtube.com/watch?v=kCM7K6Ew5Jw.




quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Audição de Música Folclórica Brasileira


Ana Maria & Matias Moreno em:





Arquivo particular 


Participação Trio Folclórico Brasileiro

Pedro Patrocínio ( Cavaquinho e Ritmo )
Bidio ( Ritmo e Percussão)
Breno Tsokas ( Ritmo e Pandeiro )


Local: Biblioteca Municipal ( Cruz das Almas - Ba.)
Data: 29 de Novembro de 2013 
Horário: 21: 00H.

Alô Caravanas de cidades circunvizinhas Sapé, Governador Mangabeira, Conceição do Almeida, turminha de São Felipe, Baixa do Palmeira, São José do Itaporã, Cabaceiras do Paraguassu estamos vos aguardando para a nossa Audição.  

                               
                                                    ENTRADA FRANCA!

Visitem nosso endereço eletrônico: http://www.youtube.com/watch?v=NFsJa6Zixt8.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

A Folia vive nesse chão!


E vamos subindo e descendo ladeiras, que para cá, "todo o santo ajuda". Estamos aqui, no Recôncavo Baiano, ao lado, a veia que o Paraguaçu desenhou na rocha. E hoje, escorre lentamente ao aconchego das marés...  Vejam que maravilha os ritmos que vamos distribuindo com a Mala do Folclore. Para nosso deleite vem aí os ritmos Aboio-Toada, Fadinho, Samba de Maculelê.  

Aboio-Toada – “No fim da Toada, tôdas as pessoas da lavoura, homens e mulheres, repetem em berro, demorando muito na segunda palavra: Ei Boi !” (Gonçalo Sampaio, CANCIONEIRO MINHOTO, cap. XXIII).
(...)”Guiam-se as boiadas, indo uns tangedores diante, cantando, para serem desta sorte seguidos do gado”. (Antonil, CULTURA E OPULÊNCIA DO BRASIL POR SUAS DROGAS E MINAS, pag. 268, São Paulo, 1923).

“No sertão do Brasil o Aboio é sempre solo, canto individual, entoado livremente. Jamais cantam versos, tangendo gado. O Aboio não é divertimento. É coisa séria, velhissima, respeitada. Aboia-se no mato, para orientar a quem se procura. Aboia-se sentado no mourão da porteira, vendo o gado entrar.Aboia-se guiando o boiadão nas estradas, tarde ou manhã. Serve para o gado sôlto do campo e tambem para o gado curraleiro, vacas de leite, mais em menor escala. Aboiar para vacas de leite não é Aboio para um vaqueiro que se preze e tenha vergonha nas ventas. (Luis da Câmara Cascudo, DICIONARIO DO FOLCLORE BRASILEIRO, pag 2, Rio de Janeiro, 1954).

“Sa figure s’illumine, je l’accompagne au parc. Il y entre en sifflant doucement a bouche close, et les boeufs. Qui ont d’abord baissé. Lui s’approche, circule au milleu d’eux, les caresse, les pousse, les fait avancer, touner á son gré, les conduit hors de l’enclos, et le fusil á la bretelle, appuyé sur un des animaux domptés me regarde, victorieux – “ y a paré, mon licutenat”. “Se je ne l’avais vu, je ne l’aurais cru”. (Baratier, EPOPÉES AFRICAINES, pag 95).



Vaqueiros na Caatinga (Caribé )
                               
                                        Inácio da Catingueira

                                       Criado de João Luis,
                                       É doutô, preto, formado
                                       É vigário da matriz
                                       Tanto fala como abóia
                                       Como sustenta o que diz

                                        Por isso é cabra de fama,
                                        Por isso sabe dançar
                                       Por isso eu digo cantando:
                                       Só lá se sabe aboiar !...

(Rodrigues de Carvalho, CANCIONEIRO DO NORTE, pags. 179 e 280, Paraíba, 1929.) 



Fadinho – “Dai a pouco começou o Fado, todos sabem o que o é o Fado, essa dança voluptuosa, tão variada. Que parece filha do mais apurado estudo da arte. Uma simples viola lhe basta, melhor que nenhum outro instrumento. O Fado tem diversas formas, cada qual mais interessante. Ora é uma figura só, homem ou mulher. Que dança no meio da casa por algum tempo, fazendo passos dos mais difíceis. Tomando as mais airosas posições acompanhando-as com estalos de dedos e aproximando-se da pessoa que lhe agrada, diante dela faz-lhe neganças e vira voltas, e finalmente bate palmas, o que quer dizer que a escolheu para substituta. Assim corre a roda toda, até que todos tenham dançado outras vezes dançam juntos um homem e uma mulher seguindo com a maior certeza o compasso da música; ora a passos apressados; depois repetem-se; juntam-se de novo; o homem ás vezes busca a mulher com passo ligeiro a qual, fazendo um pequeno movimento com o corpo e braços, recua vagarosamente; outras vezes é ela quem procura o homem, que recua por seu turno, até que enfim voltam á primeira figura. Há também a roda em que dançam muitas pessoas, interrompendo certos compassos com palmas e em sapateado as vezes brando e breve, porém sempre igual e ritmado. A música é diferente para cada caso, sempre tocada a viola. Muitas vezes o tocador canta em certos compassos uma cantiga de feitura verdadeiramente poética. Quando o fado começa, custa a acabar; termina sempre pela madrugada, quando não leva de enfiada dias e noites seguidas”.
(Manoel Antonio de Almeida, MEMÓRIAS DE UM SARGENTO DE MILICIAS, cap. VI  
*( 1852 -1853).  



Construindo o nosso mapa passamos pelos Engenhos de Santo Amaro. E aqui, na Cidade de Cachoeira , partiremos para a Estrada Real Estação Villa Velha ( Ramal Feira de Santana ). Enquanto isso apreciem o Samba de Maculelê.



Arquivo de internet
Tia Ciata
                                          

Samba de Maculelê – (...) “Na minha infância convivi com pretos e pretas que me contavam as suas estórias
                     Ouçamos o que dizia a velha Pupu, que viveu mais de cem anos. Ela foi escrava do Engenho Partido.
                      Quando eu era pequena vi lá no Engenho Partido o escravo Ti-Ajou, batendo e tocando o Maculelê. Quando se deu a liberdade eu já era mãe de fio e vó de neto. Cutú só tinha um filho, o Manoel que por ser muito feio era apelidado de Mané Beiçola. Pelas contas feitas o Manuel nasceu em l844 e aos oitos aprendeu Maculelê com Ti-Ajou. Logo as minhas pesquisas iniciam-se no ano de 1852.
                      Temístocles, era um preto que conheci também, foi aluno de Ti-Ajou. O preto João Ferreira dizia: “eu já nasci forro mas aprendi a tocar Maculelê no Partido”.
                       Eis o que me contaram:
                       Na Àfrica os negros lutavam empunhando dois pedaços de paus, que eles chamavam de lelês.
                       A rivalidade era intensa entre os Macuas e os Males estes últimos armavam-se com paus e diziam: “vamos esperar Macuas a lelê”. Disto talvez se origine o nome Maculelê.
                       A expressão “Macuas a lelê” sofreu uma corruptela dando origem a palavra Maculelê.
                       Sabemos que somente em dois engenhos se iniciou o Maculelê: o Engenho São Lourenço de propriedade do Visconde de São Lourenço, cujo proprietário não permitia que os negros usassem cacetes.
                       O Engenho Partido, cujo proprietário era Joaquim Pereira consentiu que a brincadeira fosse praticada na Senzala para disfarçar a luta Ti-Ajou deu música e ritmo ao Maculelê.
                       (...) “Com a intenção de promover a sua defesa e liberdade os negros tiram pedaços de paus nas matas e na Senzala, começando os treinos. Logo foi proibido, pois achavam que iria causar grandes prejuízos e apresentaria perigo para a economia da região e para a pátria.
                        Muito ladino Ti-Ajou achou uma maneira de camuflar, e introduziu a música e a dança. – como brincadeira e dança agradou até ao dono do Engenho que cedeu e consentiu que fosse dançado na Senzala em horas de folga.
                       Foi improvisado um timbale com um tacho furado do Engenho; agogô e chequerê.  A batida dos cacetes ajudavam o ritmo.
                       As Cantigas foram sendo adaptadas. E como o negro em tudo demonstrava a sua fé, saudavam os seus deuses, ou tudo aquilo que merecia o seu respeito e adoração. Ti-Ajou era também pai de terreiro e com tal sabia as normas e rituais do Candomblé “(...).

(Zilda Paim, RELICÁRIO POPULAR, pags. 17 e l9, Bahia, 1999.)
Obrigado a todos e visitem nosso endereço eletrônico: 

Arquivo Particular
Pouso da Palavra  (Cachoeira-Ba).

Atendendo a dezenas de solicitações dos admiradores e colaboradores e do Pouso da Palavra . Já encontra-se à disposição dos amigos, no Pouso da Palavra, as seguintes obras do DUO FOLCLÓRICO Ana Maria & Matias Moreno.


Brasiliana "Folias e Ritmias"
Contendo 11 Cd's.
É o Novo e já  Festejado.
Boa Viagem!





segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Lua Cheia caminhos da Estrada Real.


Ocu baba  Ocu jerê.  Até mais Santo Amaro!

 Voltamos a cidade de Cachoeira ,riquíssima, vastíssima enciclopédia da Bahia. Alô Cachoeira da Bahia, nosso abraço , vem aí saltitando da Mala do Folclore os Ritmos Partido Alto, Toré e o Ritmo Choradinho.


Arquivo particular.




Partido Alto – nos seculos XVII, XVIII, XIX e até mesmo inicio do seculo XX não se fazia diferença entre “Sambadeira, prostituta ou vagabunda” para o homem: Sambador era um deflorador e desordeiro, impedindo com isto que muita gente de posição concorresse ao Samba, por suas pregações morais. Isto deu origem as rodas de samba, realizadas ás ocultas entre os senhores, as suas crioulas preferidas e esta realização temos o nome de Samba do Partido Alto.
 Para este tipo de Samba eram escolhidos os tocadores de maior recato e responsabilidade, evitando a divulgação e até o conflito de familia. A este tipo de Samba só assistiam os participantes com as suas favoritas. O ritmo era mais moderado e feito ao som das violas e pandeiros esta modalidade apresenta algumas alterações.
Enquanto os tocadores e cantores entoam a Cantiga a Sambadeira não vai ao centro da roda, quando para a Cantoria, ouve-se somente o som das palmas e da viola, a Sambadeira vai ao centro da roda, rodopia, sapateia e vai para o pé da viola onde dança de frente para o violeiro, dizendo-se que ela “amarrou o Samba”. Depois de um longo repinicado ela vira as costas ao violeiro e assim desamarrou  do Samba e o coro começa novamente a cantar enquanto é dada a Umbigada.     (Zilda Paim, Relicario Popular, Pag. 55, Bahia, 1999).

Tore - Os tupinambás se prezam de grandes músicos, e, ao seu modo,cantam com sofrível tom, os quais têm boas vozes; 
mas todos cantam por um tom, e os músicos fazem motes de improviso, e suas voltas, que acabam no consoante do mote; 
um só diz a cantiga, e os outros respondem com o fim do mote, os quais cantam e bailam juntamente numa roda, na qual um tange um tamboril,em que não dobra as pancadas;
 outros trazem um maracá na mão, que é um cabaço, com umas pedrinhas dentro, com seu cabo por onde pegam;
e nos seus bailes não fazem mais mudanças, nem mais continências que bater no chão com um só pé ao som do tamboril;
 e assim andam todos juntos à roda, e entram pelas casas uns dos outros; onde têm prestes vinho, com que os convidar; e às vezes anda um par de moças cantando entre eles, entre as quais há também mui grandes músicas, e por isso mui estimadas. Entre este gentio são os músicos mui estimados, e por onde quer que vão, são bem agasalhados, e muitos atravessaram já o sertão por entre seus contrários, sem lhes fazerem mal.
( Gabriel Soares de Souza,”Tratado Discritivo do Brasil em 1587”,(capitulo CLXII), pags 315 e 316.


Choradinho – ou Baião dança e canto popular, ao som da viola e de outros instrumentos, derivado do Baiano. Conhecida também como Baiano ou Chorado. Esses nomes também se aplicam ao pequeno trecho instrumental que os contendores executam nos Desafios para dar tempo ao adversario de preparar a sua resposta.
(Silvio Romero)

Choradinho – (...) “ nem todos, porém, a compartem. Baldos de recursos para se alongarem das rancharias, agitam-se, então, nos Folguedos costumeiros, encouraçados de novo, seguem para os Sambas e Cateretês ruidosos, os solteiro,famanazes no Desafio, sobraçando os machêtes, que vibram no Choradinho ou Baião, o os casados levando toda a obrigação, a familia. Nas chopanas em festa recebem-se os convivas com estrepitosas salvas de ronqueiras e como em geral não há espaço para tantos, arma-se fora, no terreiro varrido, revestidos de ramagens, mobiliado de cepos, e troncos, e raros tamboretes, mas intenso, alumiado pelo luar e pelas estrelas o salão do baile. Despontam o dia com uns largos tragos de aguardente, a teimosa, e rompem estrídulamente os sapateados vivos.
                           Um cabra destalado ralha na viola. Serenam em vagarosos maneios, as Caboclas bonitas. Revoluteia, brabo e corado o sertanejo moço.
                            Nos intervalos travam-se os desafios.
                            Enterreiram-se, adversarios, dois Cantores rudes. As rimas saltam e casam-se em quadras muita vez belissimas.
                            Nas horas de Deus, amém
                            Não é zombaria, não !
                            Desafio o mundo inteiro
                            Pra cantar nesta função !
                           O adversario retrunca logo, levantando-lhe o ultimo verso da quadra:
                           Pra cantar nesta função
                           Amigo, meu camarada.
                           Aceito teu desafio
                           O fama deste sertão !
                           É o começo da luta que só termina quando um dos bardos se engasga numa rima dificil e titubeia, repinicando nervosamente o machete, sob uma avalanche de risos saudando-lhe a derrota. E a noite vai deslizando rápida no Folguedo que se generaliza. Até que as barras venham quebrando e cantem as sericóias nas ipueiras, dando o sinal de debandar ao agrupamento folgazão.
                          Terminada a festa, volvem os vaqueiros á tarefa rude ou á rede preguiçosa.”(...)
(Euclides da Cunha, OS SERTÕES, pags. 228 e 229), (Lendas e Canções, “Quadras”, Juvenal Galeno.)

Estamos a vontade para fazer o nosso mapa, o qual nos leva a Estrada Real. E vamos que vamos! Voltaremos ao Trem de Ferro, para caminhar na "Feira de Santana" com a Mala do Folclore. Obrigado a todos e visitem nosso endereço eletrônico: 


Arquivo particular
Ana Maria autografando "Boa Viagem" (Cachoeira-Ba.)
  
Arquivo Particular
Matias Moreno autografando "Brasiliana Folias e Ritmias"  (Cachoeira-Ba.)




       





segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Porto Lua Cheia, saudades da Ribeira




Saindo da rota das águas pelo Porto Lua Cheia, pegamos a Mala do Folclore e subimos até o Recôncavo da Bahia. Passagem por Santo Amaro da Purificação, onde o "Samba Chulado" pediu passagem. Assim, junto com ele, nos acompanham os ritmos Cantoria - Romeira e Samba.

                                  
 
                                          Arquivo particular


Samba-Chulado – A Chula era a alma do Samba do Partido Alto fez a Modinha viver, é filho da Bahia, orgia de ritmos, ironias, surpresas, um que de selvagem. De primitivo, uma glorificação do passado. A dança bole com os nervos de muita gente recatada, a rapaziada perde a cabeça quando a Mulata, sapateando, dá os seis passinhos de estilo para entrar na roda, quando a Cabrocha dança um “Corta Jaca Miudinho” ou quando requebra num “Corta Coco Direitinho”.
                    Os olhares lascivos da Sambadeira, mexem com os corações.
                    O Samba é próprio das festas em louvor aos santos do mês de junho, São Cosme, São Damião, nas festas da lavagem da igreja da Purificação , nas festas de casamento e batizados das roças e fazendas.
                     Em Santo Amaro (Bahia), varias mulheres se tornaram sempre lembradas pelo seu requebrado: Sinhá Aninha, Maria do Curuzú e Maria Pé no Mato, todas foram Porta Bandeira na lavagem de Nossa Senhora da Purificação. Maria do Curuzú residia numa das travessas da Rua Sinimbu, e o trecho ficou conhecido como “Beco do Curuzú”.
                     O Samba é uma exibição das qualidades individuais de cada dançarino. Cada qual mais apurado, mais entusiasta e as Crioulas com o seu maior remelexo. Os olhares lascivos da Sambadeira além de bulirem com o sentimento dos espectadores, produzem maior ou menor excitação nela própria.
                       Samba quer dizer adoração, queixume, súplica e desejo.
(Zilda Paim, Relicário Popular, pag. 56, Bahia, 1999.).
Cantoria-Romeira – Ato de cantar, a disputa poética cantada, o Desafio entre os Cantores do Nordeste Brasileiro.(...) “Admirável é que o tempo não lhes vença o ânimo nem apouque a admiração do povo. Continua como eram. Agora em menor porção mas sempre queridos cercados, cantando valentias, passando fome, vendendo folhetos, sonhando batalhas. Seu público não mudou. É o mesmo. Vaqueiros, mascates, comboieiros, trabalhadores de eito, meninada sem profissão certa e que trabalham em tudo, mulheres... Nas Feiras são indispensáveis. Rodeados como os camelôs nas cidades, de longe ouvimos a voz roufenha, áspera, gritante. Nos intervalos, o Canto Chorado da viola companheira. Perto cem olhos se abrem, contentes de ver mentalmente o velho cenário combativos de seus avós. Ninguém interrompe. Não há insulto. Pilhéria, a pilhéria dos rapazes espirituosos das capitais. Há silencio e ouvido atento”(...)
(...) “Os Portugueses trouxeram a tradição das Romarias para o Brasil. Não consta que os indígenas tivessem pontos de afluência religiosa e os africanos conheceram as Romarias depois de muçulmanizados.”(...)
(Luis da Câmara Cascudo, Dicionário do Folclore Brasileiro, pags. 152 e 554, Rio de Janeiro, 1954.)


Samba – Samba - Duro é o Samba feito só para homens, com um ritmo quente de Batuque, sempre executado no final das grandes farras quando as Mulatas já se recolheram, e lá vai alta a madrugada !!!
                        Variadas são as formas do Samba: Samba Amarrado, Samba da Crioula, Samba do Partido Alto. Todos estes nomes significando os Sambas apresentados em recintos reservados para altas personalidades com as suas preferidas, este ritmo é acompanhado de violas que é seguido pelo bater das palmas. A Sambadeira dando o seis passinhos de estilo, entra na roda e vai ao pé da viola dá a Umbigada e o violeiro entoa uma Chula, terminada a Chula é que sai a outra Sambadeira.
                        As Chulas improvisadas, mexiam com os presentes ou fatos ocorridos ou ainda parte das pessoas.
                        Nunca vi Santo Amaro, de Lampião
                        Nunca vi mulher magra de cadeirão.
                        Formada a roda rufam os pandeiros, repinicam as palmas e o coro entoa o Samba. Vários são as músicas e versos.
                        É hoje sim você tem qui dá
                        Debaixo da rama do maracujá
                        Eu dou seu Zé, eu dou seu Zé
                        Umbigada na sua mulher.
(Zilda Paim, Relicário Popular. Pags. 56 e 59, Bahia, 1999).





É amigos muitas emoções pela frente, aqui estamos no Porto Lua Cheia com a Mala do 
Folclore e suas sonoridades. Garantimos muitas emoções, até breve!. Não deixem de curtir nosso endereço musical.